domingo, 19 de setembro de 2010

MoDeRnIdAdEs

E o mundo continua avançando, minha gente!
Coisas, carros, imagens, ideias, modas, pessoas, tudo vai ficando ultrapassado! Por estes dias, conversando com um "estranho", rimos a respeito do quanto algumas expressões ficaram praticamente desconhecidas para a atual juventude.
Quem sabe, por exemplo, o que é um DISK-PIZZA? Você poderia responder-me que todo mundo sabe, mas pense como o significado real desta expressão é desconhecida, devido ao pouco uso de telefones com disco - todos usam teclado.
E "CAIR A FICHA", "VIRAR O DISCO", "VOLTAR A FITA", "VIRAR O TACHO", entre tantas outras...
Fiquei pensando nisso, e não demorei a devanear.
Que o mundo teve avanços, é fato! Que modismos vão e vem, também é fato! O que me assusta é a superficialidade que as coisas e, principalmente, as pessoas passaram a ter.
Devaneio ainda mais...
Começo a me questionar sobre o tanto de coisas que ainda guardo. Do tamanho daquela gaveta cheia de documentos e papéis, da estante de livros, da blusa mais antiga no fundo do armário, dos milhares de cacarecos que toda mulher "precisa" ter para colocar no cabelo ou no rosto, dentro daquela gavetinha. Um amontoado de coisas que, apesar de não fazer a menor diferença no dia a dia, se deixarem de existir, parece que 1/3 de nossa vida se desfaz.
Remexo em alguns caderninhos antigos e encontro um velho diário, do tempo de adolescente, onde escrevi em algumas páginas os nomes de todas as pessoas que haviam passado pela minha vida até aquele momento. Pensei em refazer aquelas páginas, daquele dia pra cá. Será que eu me lembraria do nome de tanta gente?
Meu coração começa a ficar apertado e, num momento de devaneio total e absurdo, penso como seria bom se, no lugar daquela blusa antiga, pudesse estar minha melhor amiga de infância. Ou, se cada um dos meus livros pudessem falar comigo como cada um de meus amigos dos últimos 5 anos falaram e contribuiram com tantas risadas e episódios cheios de aventura!
Enfim, uma experiência de linha tênue com a loucura... talvez.
Continuo a refletir sobre o valor de tudo isso. Das coisas, das pessoas, dos momentos. Penso em como perdemos oportunidades de ampliar nossa experiência como seres humanos quando deixamos de viver para as pessoas e passamos a viver para as coisas. Coisas, de fato, podem ser mais duradouras do que pessoas (prova disso é que ainda tenho um xale confeccionado pela minha Vó Leonor, mãe de meu pai, já falecida). Mas o significado destas coisas em nossas vidas, nunca poderão ultrapassar o valor da presença das pessoas em nosso dia a dia - o xale não sabe fazer biscoitos de nata...!
Espero aprender, a cada dia, o valor de cada pessoa que passa em minha vida, seja por longos anos ou poucas horas. Que o momento seja efêmero, mas a experiência e o valor das pessoas, não!

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